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Efêmero

Efêmero


Riso frenético
Projeções de amor e dor
Situações embaraçosas
Eloqüência na fala
Quando apenas se fala
Nada senti

Subo no palco
E represento bem o papel que me cabe no momento
Só não sei ate quando
Vai durar este momento
Interpretativo vão

Imagens ritmadas
Do ir e vir
Na dança louca de corpos
Que se unem
E se completam
Na luxuria, no gozo!

Contemplo pensativo
O passado presente
Do verbo rir

Onde lentamente fecho a cortina
Embaraçado pela falta de espectadores
Do teatro do amor

Experiência efêmera
Que um dia
Teve vida
Mas que hoje
São apenas fragmentos
Do espelho quebrado no quarto
Que um belo dia
Me vi refletido.

Lui Tinoco

Velocidade da Luz


299 792 458 m / s

Um gole
Um trago
Frase desconexa
naquela poesia escrota
A lembrança de piadas sem graça
Histórias contadas e recontadas
carregadas de saudades
Palavras trocadas usando e abusando
da tecnologia
Peito que enche
Inspirando sentimentalidades
Feixe de espinhos
A percepção indiscreta de quanto complicamos
nossas relações mais básicas
eternizando o ato de colocar
peso em nossas cangalhas fantasmas
Sísifo viria parte de sua pena em nós
Um gole
Um trago

Logoff

Lui Tinoco

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:


Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Para desvirginar o labirinto
Do velho e metafísico Mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto!

A digestão desse manjar funéreo
Tornado sangue transformou-me o instinto
De humanas impressões visuais que eu sinto,
Nas divinas visões do íncola etéreo!

Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais...

Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que inda eu suba mais!

By José Saramago

Enfrentemos os factos. Há anos (muitos já), o famoso teólogo suíço Hans Küng escreveu esta verdade: “As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros”. Jamais se disse nada tão verdadeiro. Aqui não se nega (seria absurdo pensá-lo) o direito a adoptar cada um a religião que mais lhe apeteça, desde as mais conhecidas às menos frequentadas, a seguir os seus preceitos ou dogmas (quando os haja), nem sequer se questiona o recurso à fé enquanto justificação suprema e, por definição (como por demais sabemos), cerrada ao raciocínio mais elementar. É mesmo possível que a fé remova montanhas, não há informação de que tal tenha acontecido alguma vez, mas isso nada prova, dado que Deus nunca se dispôs a experimentar os seus poderes nesse tipo de operação geológica. O que, sim, sabemos é que as religiões, não só não aproximam os seres humanos, como vivem, elas, em estado de permanente inimizade mútua, apesar de todas as arengas pseudo-ecuménicas que as conveniências de uns e outros considerem proveitosas por ocasionais e passageiras razões de ordem táctica. As coisas são assim desde que o mundo é mundo e não se vê nenhum caminho por onde possam vir a mudar. Salvo a óbvia ideia de que o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia.

Sol, Lua e Mercurio em Touro
Ascendente Libra
Capacidade de mudança - Eu!

-x-

Noite vazia
A lua está lá
Sorrindo para solidão

-x-

Frio doí a alma
A lança destroí a esperança
Me perdi no caminho

-x-

Pele cheirosa
Sentido aguçado
União de corpos

-x-

Onde estão os sonhos
nesta noite vazia?
Buraco negro!
















ONx2

E eís que aqui
Em momento marginal
Milhares de cores
Confundem sentimentos
Desamparam Ilusões
E o vento bate na cara
A pura e simples das equações:

Animal + limitado / príncipio divino :

Reles ser humano!

NÃO MACHISMO

A tua retórica de estudante feminista
Me faz viajar na forma niilista
Do nada absoluto
Talvez , um dia compreenda
Porque para mim as mulheres têm tanto valor
Quando nada são
Para os ditos “ machões” .

Acróstico

M.ulher
A.mada
R.espeitada
C.arinhosamente
I.ncrível
A.mor

Encontrei

- Um louco.

- Um santo?
- Um medroso?
- Um forte.
- Um tétrico.
- Um impiedoso.
- Um culto?
- Um crítico.
- Um herege.
- Um fútil?
- Um trabalhador.
- Um semi-atleta.
- Um confiante.
- Um cara hiper-feliz.
- Um carente de conhecimentos.
- Um outro louco por gostar tanto de você.
- Um reles ser humano.

E APENAS DEI DE CARA COM O ESPELHO!

Cemitério

No meu leito fúnebre

Sinto a umidade desse solo podre
E no meio da lama
Sinto-me uno
E me perco em meu vazio interior

Insano

Caminho apressado
Por entre seres estranhos
Passos largos
Não sei onde estou indo
Mas busco você em cada alma que cruzo

Energia salutar
Amor... Desejo... Tesão!
Corro pro meu canto e satisfaço-me com o pensar
Neste momento é tudo que posso ter
Conforta-me sentir a tua presença
Imaginar tuas mãos acariciando-me

Momentos marcantes
Olhos nos olhos
O doar de teu colo no santuário onde dormes

A certeza de que estive ali a observar-te
Velar o teu sono
Ouvir tua respiração
Proteger-te

Lanço-me de corpo e alma no oceano infinito
Buscando-te
Percorro espaços vazios
Vasculho planetas
Faço uma viagem interior

Encontro-te!

Digo que te amo
E que meu amar é diferente de aprisionar-te
Mesmo que algumas vezes
Pegue-me cobrando de ti uma atenção impossível
Ficando triste por um querer não compartilhado
Exercitando minha falta de compreensão

Revelo-te minha intimidade e identidade
Um ser humano... Limitado e egoísta
Mais verdadeiro!
Que aprende ouvindo-te, lendo-te!
E principalmente amando-te

Insano... Durmo! Tentando alcançar o novo dia na busca desvairada de tua presença que se materializa através de tua voz!

Aloysio Tinoco Junior

Incerteza









Eu?

Eu sei

Eu acho

Ou acho que sei?

Ou apenas acho que sei?

Sei que

Talvez

Eu ache...

Encanto

Metamorfoseou-se em sonho

Nosso último encontro
A felicidade no nosso passeio no escuro
Quase na chuva

Extraí a tua imagem do meu ser
E me tranquei de medo, saudade!
Diante de tua ausência - finita.

Contemplei a tua beleza inocente
Beijei o teu rosto puro e puro
Teu carinho ao meu coração febril
Teu sorriso fino e franco
Como se me arrancasse a luz
E o sonho de todo meu ser se abriu...

De repente a ausência imperdoável
Imaterial, mais necessária.
À paz de um novíssimo querer
Querer o quê? - Você!

De repente - O encanto!

Efêmero






Riso frenético
Projeções de amor e dor
Situações embaraçosas
Eloqüência na fala
Quando apenas se fala
Nada senti

Subo no palco
E represento bem o papel que me cabe no momento
Só não sei ate quando
Vai durar este momento
Interpretativo vão

Imagens ritmadas
Do ir e vir
Na dança louca de corpos
Que se unem
E se completam
Na luxuria, no gozo!

Contemplo pensativo
O passado presente
Do verbo rir

Onde lentamente fecho a cortina
Embaraçado pela falta de espectadores
Do teatro do amor

Experiência efêmera
Que um dia
Teve vida
Mas que hoje
São apenas fragmentos
Do espelho quebrado no quarto
Que um belo dia
Me vi refletido.